Menos contratos, rendas mais altas: o que se passa no arrendamento?

Lisboa mantém a renda mais elevada do país, mas é Gondomar que lidera em crescimento.

Menos contratos, rendas mais altas: o que se passa no mercado de arrendamento?
Menos contratos, rendas mais altas: o que se passa no mercado de arrendamento?

A renda mediana dos novos contratos de arrendamento em Portugal atingiu os 8,22 euros por metro quadrado no 1.º trimestre de 2025, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Estatística (INE). Este valor traduz um aumento homólogo de 10%, ligeiramente acima da variação observada no trimestre anterior (9,3%).

Apesar da subida dos preços, a atividade do mercado abrandou: foram celebrados 23.417 novos contratos, o que representa uma quebra de 10,4% face ao mesmo período de 2024.   undefined

As rendas mais elevadas por metro quadrado continuaram a concentrar-se nas regiões urbanas e litorais:

  • Grande Lisboa – 13,16 €/m2
  • Região Autónoma da Madeira – 10,44 €/m2
  • Península de Setúbal – 10,24 €/m2
  • Algarve – 9,92 €/m2
  • Área Metropolitana do Porto – 9,12 €/m2



Lisboa manteve-se como o município com a renda mediana mais alta do país (16,00 €/m2), embora com uma subida homóloga (5,1%) abaixo da média nacional.

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Entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, o maior aumento das rendas verificou-se em Gondomar (+24,4%), seguido de:

  • Funchal (+17,1%)
  • Maia (+18,0%)
  • Coimbra (+10,9%)
  • Vila Nova de Gaia (+15,2%)



O número de novos contratos caiu em 26 das 27 sub-regiões analisadas. A única exceção foi o Baixo Alentejo, que registou uma subida de 13,6% na atividade contratual. As maiores quebras observaram-se no Alto Tâmega e Barroso (-26,8%), Alentejo Central (-24,2%) e Alentejo Litoral (-24,0%).

Mesmo com a redução na atividade, a Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto concentraram mais de 42% dos novos contratos realizados.

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Nos grandes centros urbanos, todos os municípios da Grande Lisboa e da Península de Setúbal registaram rendas acima da média nacional, embora com crescimentos variados:

  • Cascais: 14,72 €/m2 (+1,1%)
  • Oeiras: 13,89 €/m2 (+4,2%)
  • Amadora: 12,20 €/m2 (+9,7%)
  • Almada: 11,98 €/m2 (+5,0%)
  • Setúbal: 9,33 €/m2 (+4,6%)



Na Área Metropolitana do Porto, Porto (12,94 €/m2) e Matosinhos (10,79 €/m2) também registaram valores elevados, mas com crescimentos moderados. Já Maia e Vila Nova de Gaia ultrapassaram a média nacional tanto em valor como em variação.

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O INE destaca que em oito dos 24 grandes municípios houve uma desaceleração das rendas, com destaque para:

  • Guimarães (-12,5 p.p.)
  • Vila Nova de Famalicão (-11,0 p.p.)
  • Braga (-8,6 p.p.)

Por outro lado, 16 municípios viram a taxa de crescimento das rendas acelerar face ao trimestre anterior, nomeadamente:

  • Gondomar (+17,2 p.p.)
  • Funchal (+13,2 p.p.)
  • Odivelas (+10,5 p.p.)



Os dados provisórios das “Estatísticas de Rendas da Habitação ao Nível Local” relativos aos três primeiros meses de 2025, mostram que, apesar da quebra na atividade, os preços continuam a subir, em especial nas zonas onde a procura é mais intensa. As variações regionais reforçam a ideia de que o mercado de arrendamento está cada vez mais segmentado, com realidades distintas entre centro, litoral e interior.

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