Promotores perspetivam subida dos preços com aumento da pressão da procura
Inquérito de confiança ao setor revela otimismo no terceiro trimestre de 2024.
O mercado imobiliário português registou sinais de recuperação, no 3.º trimestre de 2024, com uma subida simultânea da procura e do número de transações, conforme indicado pelo Portuguese Investment Property Survey (PIPS). Este inquérito, promovido pela Confidencial Imobiliário em parceria com a Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), capta trimestralmente o sentimento dos principais promotores imobiliários do país.
Segundo o inquérito, o sentimento relativamente às transações subiu para +5 pontos percentuais (p.p.), entrando em terreno positivo após sete trimestres de quedas consecutivas, que chegaram a -70 p.p. Essa recuperação deve-se ao abrandamento da inflação e à descida das taxas de juro, que trouxe uma perspetiva de maior estabilidade no setor.
Este quadro estimulou um aumento generalizado da procura, elevando também as expectativas de valorização do preço dos imóveis. A confiança dos promotores relativamente à valorização dos preços subiu para +35 p.p., muito acima dos +3 p.p. registados no final de 2023. undefined
Face a este cenário positivo, o Indicador de Sentimento atingiu os +20 p.p., marcando o seu ponto mais alto desde o início da atual fase de retoma do setor.
Com um clima favorável para o investimento, as expectativas dos promotores também se fortaleceram, com o Indicador de Expectativas a alcançar +36 p.p., refletindo o otimismo crescente no setor, semelhante ao verificado no final da pandemia, entre 2021 e 2022.
Os dados revelam ainda um forte impulso na procura por terrenos, incentivada pela queda dos juros, com 50% dos agentes a reportar uma procura elevada ou muito elevada para novos projetos.
A construção nova lidera entre os projetos em desenvolvimento, representando 80% das novas iniciativas, embora grande parte (75%) continue orientada para o mercado internacional. Os projetos especificamente destinados à procura nacional mantêm-se em cerca de 25%.
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No entanto, a promoção imobiliária orientada para o arrendamento (Build-to-Rent) continua a revelar baixa atratividade, situando-se em -26%, ligeiramente acima do mínimo registado após o anúncio do pacote legislativo Mais Habitação.
Outro fator que limita a promoção de habitação acessível é o aumento dos custos de construção. Em doze meses, o indicador de sentimento sobre esses custos subiu para +48 p.p., enquanto as expectativas para os próximos três meses alcançaram +16 p.p., o ponto mais alto da série.
Apesar da preocupação com o aumento dos custos, os promotores apontam os processos burocráticos, o IVA sobre a construção e o preço dos terrenos como os principais entraves à atividade.
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