Portugal é o país da OCDE onde é mais difícil comprar casa
Variação dos preços da habitação em Portugal é mais do dobro da OCDE.
Portugal enfrenta uma das maiores crises habitacionais da Europa e, de acordo com os dados mais recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), revelados pelo Expresso, a relação entre os preços das casas e os rendimentos atingiu um nível sem precedentes. No terceiro trimestre de 2024, o índice de acessibilidade habitacional fixou-se nos 157,7 pontos, o valor mais alto desde que há registos (1995) e o mais elevado entre os 30 países analisados pela OCDE.
Este índice mede a relação entre a evolução dos preços da habitação e a evolução dos rendimentos, sendo que valores mais altos indicam um maior desafio no acesso à casa própria. Em Portugal, o índice está 36% acima da média da OCDE (115,7) e 50% acima da média da zona euro (104,7). Além disso, foi o país onde o acesso à habitação mais se deteriorou na última década: em 2014, o índice era de 99,6 pontos, o que significa que a acessibilidade piorou 58,33% em dez anos. undefined
Os países da OCDE com custos de habitação mais elevados, segundo os dados divulgados pelo Expresso, incluem Portugal, que se destaca com um índice de 158, seguido de perto pelo Canadá e os Estados Unidos, ambos com valores próximos dos 130 pontos (135 e 130, respetivamente).
Os Países Baixos, Suíça e Austrália (130, 126 e 122 pontos) apresentam também índices consideráveis. Já a Chéquia e Luxemburgo registam índices de 124 e 120 pontos, respetivamente. Hungria e Áustria, por sua vez, têm valores ligeiramente mais baixos, mas ainda assim expressivos, com índices de 114 e 116 pontos.
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A dificuldade crescente no acesso à habitação deve-se a dois fatores principais: a evolução dos preços das casas e a evolução dos rendimentos.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), entre o terceiro trimestre de 2014 e o terceiro trimestre de 2024, o índice de preços da habitação aumentou 135,2%, ou seja, os preços mais do que duplicaram em dez anos. O mercado imobiliário português passou por um período de fortes oscilações na última década, influenciado pela crise bancária e pela intervenção da troika, que levaram a quedas nos preços entre 2010 e 2012. No entanto, desde o terceiro trimestre de 2020, os preços têm subido de forma contínua.
Por outro lado, os rendimentos cresceram a um ritmo muito mais lento. A remuneração bruta mensal média por trabalhador aumentou de 1150 euros em setembro de 2014 para 1534 euros em setembro de 2024, um crescimento de apenas 33%. Já o salário mínimo nacional subiu de 495 euros para 820 euros no mesmo período, um aumento de 69%. Ainda assim, o crescimento dos preços das casas foi cerca de quatro vezes superior ao crescimento do rendimento médio e quase o dobro do aumento do salário mínimo.
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A degradação da acessibilidade à habitação não se explica apenas pela discrepância entre os preços das casas e os rendimentos. O custo de vida também aumentou de forma significativa. Excluindo a habitação, o índice de preços no consumidor – que mede a inflação – cresceu 21% na última década. Ou seja, os preços das casas subiram muito mais do que os restantes bens e serviços essenciais, tornando ainda mais difícil a vida de quem pretende comprar ou arrendar uma habitação.
Com um mercado imobiliário em alta e rendimentos que não acompanham a escalada dos preços, Portugal enfrenta um dos maiores desafios habitacionais da sua história recente. A procura por soluções que tornem a habitação mais acessível será, assim, um dos temas centrais para os próximos anos.
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