Porta 65 “é prioritário”, mas deixa milhares de inquilinos de fora

Milhares de candidatos sem resposta.

Porta 65 “é prioritário” mas deixa milhares de inquilinos de fora
Porta 65 “é prioritário” mas deixa milhares de inquilinos de fora

O Programa Porta 65, lançado há quase dois anos, continua a deixar de fora milhares de inquilinos que não recebem qualquer apoio. Mais de 1400 famílias que arrendam casas e tiveram quebras de rendimentos continuam sem receber o subsídio criado para apoiar este universo, embora o prazo previsto de resposta seja de 45 dias.

O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) justifica o atraso com "constrangimentos técnicos".

O Porta 65 foi criado no âmbito do pacote Mais Habitação com o objetivo de apoiar inquilinos jovens no acesso à habitação e, mais tarde, com o Porta 65+, alargado a famílias monoparentais e com perda de rendimentos, sem limite de idade.

Segundo o presidente do IHRU, este programa “é para manter” e “é uma das prioridades” deste organismo.

Em declarações à Lusa, António Benjamim Costa Pereira garantiu que o IHRU está “a conjugar esforços” para dar resposta no prazo previsto e sublinhou que o Porta 65 é uma prioridade.

“Temos plena consciência das dificuldades que os cidadãos estão a passar e queremos resolver esse problema”, garantiu, reconhecendo que "algumas” candidaturas “estão mais atrasadas”.   undefined

Em resposta enviada à Lusa, a Direção de Estudos, Planeamento e Assessoria do IHRU confirmou que estão atualmente em análise candidaturas e pedidos de renovação referentes ao mês de setembro.

Estas dizem respeito ao Porta 65 Jovem, que, em 2024, recebeu 19.756 novas candidaturas e 13.630 pedidos de renovação, dos quais menos de metade (14.622 - 43,8%) foram aprovados até agosto.

Ao mesmo tempo, encontram-se em análise 228 candidaturas ao Porta 65+ (destinado a famílias monoparentais e famílias com perda de rendimentos) referentes aos meses de dezembro de 2024 e janeiro de 2025.

Contudo, segundo noticia o jornal Público, o Porta 65+ ainda não chegou a famílias com perda de rendimentos já que só as famílias monoparentais que se candidataram ao apoio tiveram resposta, enquanto as que requereram o apoio por perda de rendimentos continuam à espera.

Durante o ano de 2024, foram submetidas 4236 candidaturas ao Porta 65+, das quais 2816 na modalidade de apoio a família monoparental e 1410 na modalidade de apoio a família com perda de rendimentos.

Do total de candidaturas de famílias monoparentais, foram consideradas válidas1253 candidaturas, das quais 899 já foram pagas, “estando em curso os trâmites para o processamento do pagamento das restantes 354 candidaturas", esclarece o IHRU, que adianta que o valor médio do apoio atribuído é de 152 euros.

Já no caso do apoio atribuído devido a quebras de rendimentos, não há qualquer candidatura aprovada já que todas se encontram em fase de análise, “devido a constrangimentos técnicos relacionados com a interoperabilidade da plataforma", refere o IHRU.

Em causa estará a lentidão da troca de informações entre os organismos do Estado, que nunca foi assegurada desde a criação do programa de apoio. As dificuldades com a plataforma informática e o cruzamento de dados com a Autoridade Tributária e a Segurança Social serão a causa do atraso nos processos.

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O responsável pelo instituto, em funções há cerca de seis meses, admite haver problemas, mas reforça a importância do programa.

“O Porta 65 não é para alterar, é para manter e para reforçar.”, afirmou o presidente do IHRU, assinalando que “houve (…) alterações no sentido da simplificação que também acabaram por ser muito difíceis de implementar”. Isto porque “as plataformas que fazem a gestão de milhares e milhares de candidaturas têm subjacente todo um sistema, um código, etc., e uma programação para dar resposta”. Ora, “quando se introduz uma alteração, é preciso alterar essa plataforma e não são coisas que se façam num dia ou dois”, esclareceu.

Com a simplificação de candidaturas ao programa Porta 65 Jovem, implementada a partir de setembro de 2024, deixou de se exigir a apresentação prévia de contrato de arrendamento e passou a ser possível apresentar apenas três recibos de vencimento, em vez dos anteriores seis.

O IHRU, reconhece, vive uma situação “verdadeiramente complexa e difícil”. Desde logo porque tem “um problema estrutural”, classificou António Benjamim Costa Pereira, sublinhando que “houve um desinvestimento” no instituto “ao longo dos anos”, que se reflete na tecnologia – hoje “uma miscelânea que é completamente absurda e que coloca vários problemas operacionais” – e na falta de pessoal.

Em lugar dos “mais de 500 trabalhadores” previstos no mapa de pessoal, o IHRU conta atualmente com “cerca de 300”, referiu.

A portaria que regulamenta o Porta 65 determina que as candidaturas são analisadas por ordem de submissão e “aprovadas pelo IHRU no prazo máximo de 45 dias úteis a contar da entrada do pedido”. Deste modo, a resposta demoraria, no máximo, cerca de dois meses. Quando deferido, o apoio é pago com retroativos, mas quem pede este apoio não tem capacidade fazer face às despesas no imediato.

 Fonte: Lusa/ Redação

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