Milhares de casas prometidas pelo PRR em risco por concursos desertos

Apesar da meta de construir 59 mil habitações até 2030, concursos públicos sem propostas travam a sua execução.

Milhares de casas prometidas pelo PRR em risco por concursos desertos
Milhares de casas prometidas pelo PRR em risco por concursos desertos

Milhares de casas previstas no âmbito do programa 1.º Direito estão por construir devido à falta de concorrentes nos concursos públicos lançados pelas autarquias. A notícia é avançada pelo Público, na sua edição desta quarta-feira, que dá conta de vários concursos desertos, pondo em causa o cumprimento da meta de construção de habitação acessível inscrita no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O 1.º Direito é o principal programa público de apoio à habitação para famílias a viver em condições indignas e sem capacidade financeira para aceder ao mercado. Assenta, sobretudo, na reabilitação de edifícios existentes e no arrendamento acessível, com a execução a cargo dos municípios, que têm vindo a enfrentar sérias dificuldades em atrair empresas para a realização das obras. Até ao final de 2024 só foram entregues 1850 casas, quando estavam previstas 7 mil, ou seja, pouco mais de 25%.

A situação agrava-se num momento em que o Governo de Luís Montenegro duplicou a ambição do PRR para a habitação, comprometendo-se, em setembro de 2024, a entregar 59 mil casas até 2030, mais do dobro das 26 mil inicialmente previstas pelo anterior Executivo de António Costa.

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Várias câmaras municipais conseguiram aprovar candidaturas e garantir financiamento no âmbito do PRR, mas os concursos lançados para as empreitadas ficaram desertos, ou seja, não houve empresas interessadas em concorrer. Esta realidade está a provocar atrasos na execução dos projetos e a comprometer o calendário definido com Bruxelas.

Entre as causas apontadas estão a falta de mão-de-obra, o aumento dos custos de construção, a complexidade dos procedimentos administrativos e a falta de capacidade instalada no setor da construção para dar resposta a tantas obras em simultâneo.

O PRR, financiado pela União Europeia, tem prazos rigorosos para execução dos investimentos, com 2026 como ano-limite para a maioria dos compromissos. A incapacidade de avançar com as obras previstas poderá ter consequências na atribuição dos fundos europeus, colocando em risco os objetivos definidos no domínio da habitação acessível.

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