Lisboa concentra quase dois terços das casas entregues pelo PRR

Programa acelera execução com recurso à reabilitação, mas revela fortes assimetrias entre litoral e interior.

Lisboa concentra quase dois terços das casas entregues pelo PRR
Lisboa concentra quase dois terços das casas entregues pelo PRR

Quase dois terços das casas já entregues no âmbito do Programa 1.º Direito, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), estão localizadas no distrito de Lisboa. Segundo dados do Ministério das Infraestruturas e Habitação (MIH) citados pelo Expresso, até 31 de julho, foram entregues 11.361 fogos a famílias carenciadas, dos quais 7167 na capital e arredores, representando um investimento global de 568 milhões de euros.

Mais de 63% dos fogos atribuídos concentram-se no distrito de Lisboa (7167), confirmando a tendência de forte assimetria territorial. Recorde-se que, em 2021, o distrito concentrava 22% da população nacional, de acordo com os Censos.

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Entre os concelhos com maior número de entregas, Lisboa lidera com 2613 casas, seguido de Cascais (1517), Sintra (1059) e Loures (966). Só estes quatro municípios concentram mais de 6 mil habitações, mais de metade do total nacional.

Outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, como Amadora (547 fogos) e Oeiras (413), também estão entre os mais beneficiados. Fora da capital, destacam-se Angra do Heroísmo, Porto, Seixal e Matosinhos.

Em contraste, os distritos do interior têm uma expressão residual: Guarda recebeu apenas nove casas, Beja 22 e Portalegre 44. Também Viseu (92), Bragança (97) e Castelo Branco (78) ficam muito abaixo da média nacional. Somados, estes seis distritos não atingem o número de fogos entregues apenas na cidade de Lisboa.

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Segundo os dados do MIH, oito em cada dez fogos entregues até julho resultam de reabilitação de habitação existente (82,4%), enquanto a construção nova representa apenas uma fração mínima (9,8%).

A aquisição no mercado (509 habitações), a aquisição com reabilitação (341), o arrendamento (27) e a compra de terreno com construção (10) têm expressão residual. O 1.º Direito está, assim, assente sobretudo na recuperação do património já existente, deixando a construção nova para segundo plano.

Em abril, estavam contabilizadas 1950 casas atribuídas. Em apenas três meses, o número subiu para mais de 11 mil fogos, resultado da simplificação administrativa e de um regime excecional que permitiu integrar no PRR cerca de 10 mil projetos municipais já em curso, com financiamento de 100% assegurado pelo Orçamento do Estado.

Assim, 73% das casas entregues pertencem à lista inicial de 26 mil fogos, enquanto 27% resultam deste mecanismo especial. Também aqui Lisboa domina: só neste regime excecional foram entregues 2381 casas no distrito, o equivalente a 77% do total.

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O executivo assegura que vai alcançar as 20 mil casas entregues até dezembro de 2025, com mais 8 mil fogos previstos até final do ano. A meta final de 26 mil imóveis até junho de 2026 mantém-se em vigor, coincidindo com o prazo europeu.

Para acelerar a execução, foi publicada uma orientação técnica que permite adiantamentos de até 95% do financiamento em obras já concluídas (com declaração municipal) e 85% em projetos com mais de 50% de execução.

No entanto, o Governo alerta para riscos: se as autarquias não concluírem os projetos até junho de 2026, o financiamento europeu cairá para 85% ou mesmo 60%, obrigando os municípios a assumir uma parte maior da fatura.

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