Investimento imobiliário dispara para 2.800 milhões de euros

Retalho, escritórios e hotelaria impulsionam mercado.

Investimento imobiliário em Portugal atinge €2.800 milhões
Investimento imobiliário em Portugal atinge €2.800 milhões

A consultora imobiliária JLL prevê um fecho de ano muito positivo para o mercado imobiliário português, com um volume de investimento em imobiliário comercial a atingir os €2.800 milhões – um crescimento de 25% face a 2024, acima da média dos últimos anos.

O forte interesse dos investidores, aliado a um contexto macroeconómico favorável e a um desempenho operacional sólido em vários segmentos, foi determinante para a atividade transacional registada. Destacam-se as rendas de escritórios e retalho, que atingiram máximos históricos em localizações prime, refletindo a robustez do mercado português.

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2025 ficou marcado por mudanças na composição do investimento. O retalho assumiu novamente a liderança, representando 40% do volume total de transações, impulsionado pelos centros comerciais. Os ativos hoteleiros e de escritórios seguem com quotas aproximadas de 20% cada.

Geograficamente, o Norte consolidou-se como um destino de eleição, absorvendo 50% do investimento, enquanto a presença de investidores nacionais cresceu significativamente. Paralelamente, a compressão das yields reforçou a perceção de Portugal como um mercado de baixo risco e elevada qualidade.

Carlos Cardoso, CEO da JLL Portugal, destaca: “O investimento terminará o ano em força. Assistimos a um regresso a níveis próximos dos €3.000 milhões, impulsionados pela consistência do capital internacional e pelo aumento da capacidade de atuação dos investidores nacionais. Isso demonstra confiança renovada no país e na qualidade dos nossos ativos, num mercado em crescente diversificação de setores e geografias, e que é hoje mais maduro, competitivo e resiliente.”

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O mercado de escritórios em Lisboa registou um preço prime recorde de 30€/m²/mês no Prime CBD e 25€/m²/mês no CBD, com absorção anual estimada entre 160.000 e 170.000 m², apesar de uma desaceleração em relação a 2024. No Porto, o take-up de escritórios deverá situar-se entre 35.000 e 40.000 m², com renda prime estável em 21€/m²/mês.

No retalho, os valores prime de comércio de rua atingem 145€/m²/mês em Lisboa e 85€/m² no Porto, enquanto os centros comerciais prime registam 130€/m²/mês. O aumento do consumo privado e do turismo impulsionou vendas e footfall, embora a escassez de oferta continue a limitar algumas transações.

No setor industrial e logístico, a falta de oferta adequada continua a condicionar o take-up, que caiu 29% até ao 3º trimestre. As rendas estão a subir, sobretudo em zonas de expansão como Montijo, Benavente, Loures, Santo Tirso e Valongo. A previsão aponta para cerca de 550.000 m² ocupados em 2025, com 1.000.000 m² em pipeline até 2028.

A hotelaria manteve-se em níveis recorde, com 28,4 milhões de hóspedes, 72,8 milhões de dormidas e proveitos de €6.400 milhões. Lisboa e Porto registam RevPAR’s de 137€ e 102€, respetivamente, com diárias médias entre 141€ e 180€ e taxas de ocupação acima dos 70%. O foco na qualidade e no segmento de luxo reforça a competitividade do setor.

Andreia Almeida, Head of Research da JLL, sublinha: “O desempenho do mercado comercial em 2025 evidencia a força estrutural do setor imobiliário português. As rendas prime alcançaram novos máximos, mesmo em contextos de absorção mais moderada, devido à limitada oferta adequada. O retalho evidenciou forte dinamismo, enquanto escritórios e logística mantiveram pressão por falta de stock e a hotelaria reforçou o seu ciclo de crescimento qualitativo”.

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O segmento residencial tradicional registou um aumento de 20% nas vendas, impulsionado pela estabilização das taxas de juro e medidas de apoio ao segmento jovem. Os preços subiram 17%, a maior taxa anual da União Europeia, com Lisboa a atingir 5.380€/m² e Porto 3.711€/m².

Os segmentos de living, como Residências Sénior e de Estudantes, mantêm elevado potencial de expansão, com ocupações superiores a 90% e oferta ainda insuficiente para a procura.

Andreia Almeida antecipa para 2026 uma moderação no ritmo de subida dos preços, com a entrada de nova oferta e medidas governamentais como a redução do IVA na construção para 6%. Contudo, não antevê um impacto imediato capaz de inverter a tendência de valorização.

Carlos Cardoso reitera a confiança na evolução do mercado e prevê um bom desempenho em investimento, ocupação, operação e valorização, tanto nos setores comerciais como na habitação.

No conjunto, 2025 fica marcado como um ano de consolidação e valorização do imobiliário português, com bases sólidas para a continuidade de um ciclo positivo em todos os segmentos.

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