IMOCIONATE: setor unido para debater habitação, mediação e inovação

A 3.ª Convenção APEMIP-IMOCIONATE debateu os temas mais atuais e prementes.

3.ª Convenção APEMIP/ IMOCIONATE
3.ª Convenção APEMIP/ IMOCIONATE

A Fundação Champalimaud, em Lisboa, foi nesta terça-feira palco de um dos mais relevantes encontros do setor imobiliário em Portugal: a 3.ª Convenção APEMIP-IMOCIONATE. Organizado pela APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, em parceria com a SIC Notícias e o Expresso, o evento reuniu especialistas, empresários, decisores políticos e profissionais da mediação para um dia inteiro de debate sobre os temas mais prementes da habitação e da mediação em Portugal.

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A manhã arrancou com as boas-vindas de Rita Neves, jornalista da SIC Notícias que conduziu, e com os discursos de abertura de Pedro Megre, CEO da UCI, Paulo Caiado, presidente da APEMIP, e Francisco Pedro Balsemão, CEO do Grupo Impresa. O tom foi dado desde início: é urgente inovar, mas sem perder de vista a confiança e a proximidade, pilares da mediação imobiliária.  Paulo Caiado sublinhou a importância da credibilidade e da fiabilidade das informações difundidas, ideia reforçada pelo CEO da Impresa reconhecendo a responsabilidade acrescida dos media cada vez maior num mundo cada vez mais polarizado.

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No primeiro painel, dedicado à inovação na mediação, Alfredo Valente (IAD Portugal), Diogo Dantas da Cunha (Flexty), Filipe Marques (X-IMO) debateram-se os novos modelos digitais e o papel crescente da tecnologia no contacto com o cliente. Para Diogo Dantas da Cunha, a tecnologia pode ser libertadora: “vai libertar os mediadores das tarefas rotineiras e dar-lhes mais tempo para estar na rua, a estabelecer relações de confiança”.

Na mesma tónica, na sua intervenção, Ricardo Costa, Administrador do grupo Impresa, falou da aceleração da mudança introduzida pela Inteligência Artificial, na sociedade em geral e para os profissionais imobiliários em particular: uma revolução sem paralelo na história, não só pelo impacto, como também pelo alcance.

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Num painel técnico, mas essencial, Cláudio Santos (Doutor Finanças), Francisco Ferreira Lima (MAX Finance), e Filipa Jales (Xfin) discutiram o papel da intermediação de crédito num momento de grande complexidade financeira. O debate sublinhou a necessidade de aconselhamento especializado e transparente para evitar decisões precipitadas por parte dos compradores, sendo o papel do intermediário de crédito ainda pouco reconhecido a nível nacional.

Miguel Morgado, comentador da SIC, sublinhou que há uma crise, não de habitação, mas no acesso à habitação. O problema maior recai sobre quem não tem casa, cerca de 27% dos portugueses, já que os indicadores estatísticos indicam que 73% destes são proprietários da sua casa. Defendeu que se deve flexibilizar os licenciamentos e a construção para aumentar a oferta. Manifestando-se contra o congelamento de rendas, afirmou “se houver um congelamento das rendas, o mercado de habitação pára”.

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A apresentação de José Soares, fisiologista e especialista em performance humana, destacou a importância do bem-estar e da preparação mental dos profissionais do setor, lembrando que “a tecnologia não vai substituir a ligação humana”. Deixou ainda um alerta: “Há um estudo que diz que muitas partes do cérebro ficam prejudicadas [com uso excessivo de IA]. É preciso ter cuidado para os jovens não perderem a curiosidade”.

Já o arquiteto Guto Requena, conhecido pelo seu trabalho em São Paulo, defendeu uma mostrou como o seu trabalho liga a tecnologia à humanidade e esta ligação se faz através do espaço arquitetónico: no edifício, na casa, no espaço público. Os seus projetos rompem barreiras e unem afeto, interatividade e urbanismo. “O futuro pode ser uma união entre a tecnologia e o afeto”, defendeu. Um dos seus projetos mais acarinhados traduz o ritmo cardíaco de pessoas fazendo declarações de amor em peças 3D, mandalas únicas e personalizadas que mostram a materialidade do amor e o poder do design.

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O debate sobre o futuro da habitação revelou posições distintas, mas complementares. António Ramalho, economista e partner da Taurus, rejeita que haja uma “crise na habitação”: “o que existe é uma crise no acesso”, especialmente sentida por pessoas acima dos 35 anos, depois dos incentivos criados pelo governo para a compra de casa por jovens.

Segundo dados citados, no primeiro trimestre de 2025, 29,9% das 41.358 casas transacionadas foram adquiridas por jovens, 44% com recurso à garantia pública do Estado. Manuel Reis Campos (Presidente CPCI) argumentou que as 59 mil casas prometidas pelo Governo, das quais 26 mil financiadas pelo PRR, são insuficientes. “Era preciso construir 145 mil casas por ano para resolver o problema”, afirmou Reis Campos.

Marina Gonçalves, ex-ministra socialista da Habitação, alertou para os efeitos perversos de estimular apenas a procura: “Quando estimulamos a procura sem medidas do lado da oferta, acontece o que estamos a ver agora: o aumento dos preços”.

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A última intervenção do dia ficou a cargo de Paulo Portas, ex-vice-primeiro-ministro, que trouxe para o palco uma análise abrangente da crise da habitação, cruzando dados económicos, geopolíticos e estruturais.

Na sua perspetiva, a verdadeira causa da crise está na falta de oferta: “Estamos a construir muito menos do que se construía há uma década. A produção de habitação nova é escassa e não consegue responder à pressão da procura”.

Apontou ainda entraves estruturais à resolução do problema, a escassa atratividade do setor para investidores, dificultada por instabilidade legislativa e fiscal; o tempo excessivo dos licenciamentos, que trava o arranque de novos projetos; a carga fiscal elevada, com destaque para o IVA na construção, que encarece os custos finais; e, por fim,  a ausência de um parque público de habitação social robusto, que, segundo Portas, deixa o mercado sem qualquer almofada para os segmentos mais vulneráveis.

Alertou também para um dado preocupante: Portugal é um dos países da Europa onde os jovens mais demoram a sair de casa dos pais. Para Portas, “o problema está no acesso à habitação, mas também no salário médio, que é exíguo”. E deixou uma nota estratégica para o futuro: “O salário médio líquido só melhora de forma sustentada com aumento de produtividade”. E produtividade exige investimento, estabilidade e visão de longo prazo.

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