Dificuldades no acesso à habitação devem persistir em Portugal e Espanha

A agência Fitch alerta que aumentos nos rendimentos das famílias e nos preços da habitação são tendencialmente iguais.

Fitch prevê que dificuldades no acesso à habitação persistam em Portugal e Espanha
Fitch prevê que dificuldades no acesso à habitação persistam em Portugal e Espanha

A agência de notação financeira Fitch prevê que as dificuldades no acesso à habitação continuem em Portugal e Espanha, uma vez que os aumentos nos rendimentos das famílias são tendencialmente iguais às expectativas sobre evolução dos preços na habitação, foi ontem divulgado.

Numa nota, a Fitch diz que a natureza "a duas velocidades" de ambos os mercados imobiliários implica que a acessibilidade esteja significativamente pressionada nos grandes centros urbanos. E, avança, é expectável que os “desafios no acesso à habitação persistam, uma vez que os ganhos de rendimento nominal das famílias projetados para 2024-2025 são globalmente iguais às expectativas da tendência dos preços da habitação”.

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As persistentes restrições de oferta vão sustentar o crescimento nominal dos preços das casas entre 4% e 6%, em Portugal, e entre 3% e 5% na Espanha, este ano. Estes valores vão manter o rácio de acessibilidade, ou seja, o valor médio nacional do preço da habitação em relação ao rendimento familiar bruto anual dos agregados familiares, em ambos os mercados entre 5,5 vezes e 6,0 vezes. A procura estagnada em algumas áreas do interior menos povoadas foi compensada por uma forte demanda nas principais áreas metropolitanas. Em Lisboa e Madrid o rácio de acessibilidade é de quase 8 vezes.

A Fitch assinala ainda que Portugal teve uma deterioração especialmente marcada nesta métrica de acessibilidade de 2019 a 2022, já que os aumentos nominais nos preços das casas superaram os ganhos salariais. Em contraste, o rácio de acessibilidade em Espanha reduziu ligeiramente durante esse período.

“Os decisores políticos anunciaram novas medidas de apoio”, como o regime espanhol de garantia para famílias jovens e os benefícios fiscais em Portugal para aumentar o parque habitacional, refere a agência de notação. Sublinha ainda que “o acesso à habitação a preços acessíveis é uma preocupação social fundamental em ambos os países, especialmente para famílias jovens e compradores de primeira viagem com pouca capacidade de poupança”.

Espera-se que a procura de crédito e as condições de financiamento melhorem em 2024 em comparação com o ano passado, incluindo taxas de juro mais baixas.

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