Câmara de Lisboa reinicia processo de alteração do Plano de Pormenor das Amoreiras

Alteração ao plano prevê construção de habitação acessível.

Câmara de Lisboa reinicia processo de alteração do Plano de Pormenor das Amoreiras
Câmara de Lisboa reinicia processo de alteração do Plano de Pormenor das Amoreiras

A Câmara de Lisboa aprovou, esta quarta-feira, a proposta da liderança PSD/CDS-PP para o reinício do procedimento de alteração do Plano de Pormenor das Amoreiras, em que se prevê mais habitação, mais espaços verdes e criação de vida de bairro.

“Finalmente, construímos um plano passível de ser concretizado”, afirmou a vereadora do Urbanismo, Joana Almeida (independente eleita pela coligação "Novos Tempos" PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), referindo-se à alteração do Plano de Pormenor das Amoreiras (PPA).

Na reunião pública da câmara, a proposta foi aprovada com os votos contra de PCP e BE, a abstenção do Livre e os votos a favor dos restantes, designadamente os proponentes, PS e Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre).

A proposta incluiu uma alteração sugerida pelos Cidadãos Por Lisboa, para que o PPA garanta que “o solo municipal na área do plano seja destinado a habitação acessível e/ou apoiada”. Esse aditamento foi viabilizado com os votos contra de PSD/CDS-PP.

O BE também propôs uma alteração, que foi rejeitada pelo PSD/CDS-PP e PS, que pretendia impedir que a área do plano fosse convertida numa zona de habitação de luxo, defendendo que 25% de toda a habitação que não fosse de iniciativa municipal devia ser destinada ao Programa de Renda Acessível e sugerindo uma moratória para travar novos hotéis.   undefined

Na apresentação da proposta para o reinício do procedimento de alteração do PPA, a vereadora do Urbanismo lembrou que existe um plano que foi aprovado e entrou em vigor em 2011, tendo em 2014 sido aprovado o início de um procedimento, mas que veio a caducar.

“Quando chegámos [à câmara] quisemos agarrar neste plano, que era um plano que não era exequível”, apontou Joana Almeida, referindo que a alteração proposta prevê “grandes melhorias”, com mais habitação, mais espaços verdes e criação de vida de bairro, eliminando um atravessamento que existia, além de “uma nova relocalização do quartel de bombeiros, com outra qualidade”.

Em relação à habitação, a vereadora disse que se estima a “criação de mais 7.000 metros quadrados em habitação municipal, aproximadamente 70 fogos”.

A alteração do plano prevê um aumento da área permeável, de 5.400 para 8.450 metros quadrados, com novos espaços verdes, assim como melhorias na circulação pedonal e uma nova ciclovia, indicou Joana Almeida.

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O vereador do PS Pedro Anastácio considerou que se trata de “uma proposta importante para a cidade”, mas ressalvou que ainda está “numa fase muito inicial”, em que falta o processo de discussão pública. Acompanhando a proposta dos Cidadãos Por Lisboa para habitação acessível em terrenos municipais, o socialista justificou o voto contra a alteração sugerido pelo BE por implicar uma necessária compensação ao privado.

Do PCP, Ana Jara criticou a visão da vereadora do Urbanismo de que “um plano que é demasiado rígido não se executa”, considerando que Joana Almeida “fala como se fosse quase uma promotora imobiliária” ao indicar que este plano na zona das Amoreiras é num dos locais da cidade “mais valiosos por metro quadrado”.

“Vê a cidade ao preço/metro quadrado, portanto destina este talhão para uns e para outros não. Uma cidade para ricos, uma cidade para classe média e uma cidade para pobres”, acusou Ana Jara.

Segundo a proposta, “a alteração do PPA teve em consideração as dinâmicas entretanto ocorridas na área do plano, nomeadamente a transmissão para a EPAL de uma parcela de terreno municipal, com uma área de 4.690 m2 e uma edificabilidade de 20.055 m2”, em que se pretende, por exemplo, consolidar a área entre o bairro de Campo de Ourique e o reservatório da EPAL existente a norte.

Atualmente, o executivo da Câmara de Lisboa, que é composto por 17 membros, integra sete eleitos da coligação “Novos Tempos” (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) – que são os únicos com pelouros atribuídos e que governam sem maioria absoluta –, três do PS, dois do PCP, três do Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), um do Livre e um do BE.

 Fonte: Lusa

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