Arquitetos querem acautelar riscos do 'simplex' urbanístico

As novas regras tornam os procedimentos mais céleres, mas também trazem controvérsias.

Arquitetos querem acautelar riscos do 'simplex' urbanístico
Arquitetos querem acautelar riscos do 'simplex' urbanístico

O bastonário da Ordem dos Arquitetos, Avelino Oliveira, afirmou hoje que a simplificação urbanística “é um bem maior”, mas alertou para a necessidade de serem acautelados os “aspetos críticos e problemáticos” do decreto-lei que reforma os processos urbanísticos.

Em declarações à Lusa, Avelino Oliveira afirmou que o panorama dos licenciamentos urbanísticos era "insustentável" e que o decreto-lei n.º 10/2024, publicado a 08 de janeiro, vai ao encontro das solicitações de diferentes setores de atividade.   undefined

"A simplificação administrativa é um bem maior", realçou, apontando inúmeros benefícios da nova lei, como a simplificação de processos, a definição de prazos e de regras.

O diploma "põe uma regulação num setor que estava muito carente dela", considerou o bastonário, saudando a introdução da Plataforma Eletrónica dos Procedimentos Urbanísticos e do Código da Construção, que só entrarão em vigor em 2026.

Dizendo não defender um retrocesso nos "avanços" preconizados no diploma, Avelino Oliveira alertou, no entanto, para a necessidade de serem acautelados alguns "aspetos críticos e problemáticos".

"Se a burocracia excessiva é má, a burocracia nula também pode ser perigosa", defendeu, notando que no seio deste ‘simplex’ “há um ‘complex’ que tem de ser resolvido", sobretudo ao nível dos riscos, simplificação e dos custos.

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Para o bastonário, a simplificação em alguns procedimentos poderá provocar "um aumento da litigância" e o surgimento de mais autos, processos e embargos de obras.

“Tão mau quanto a litigância vai ser o acesso ao financiamento”, salientou, notando, que o diploma responde aos grandes investimentos e investimentos de interesse público, mas não às obras de média e pequena escala.

“Há alterações urbanísticas que, não tendo o crivo da entidade licenciadora, os bancos não vão financiar ou, a financiar, vão obrigar a que haja uma revisão do projeto bastante rigorosa e essa revisão vai refletir-se nos custos ao cidadão”, observou.

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Já quanto à responsabilização, Avelino Oliveira disse ser “muito excessiva”, defendendo existir uma “desproporcionalidade entre a responsabilização e as consequências” imputadas, não só aos técnicos, mas às entidades licenciadoras e ao cidadão, “que passa a ter de confirmar as certificações do técnico”.

“O Governo criou uma alteração legislativa relativamente à verificação desta matéria, que vai promover, eventualmente, aqueles que pretenderem perverter o sistema”, referiu, lembrando que não deixam de ser necessárias as certificações e habilitações dos técnicos.

O bastonário, que na terça-feira esteve reunido com o Presidente da República para discutir a simplificação legislativa, os estatutos e a regulação da profissão, adiantou à Lusa ser intenção da Ordem dos Arquitetos promover, juntamente com a Ordem dos Engenheiros e com outras entidades ligadas ao setor, “um conjunto de contributos e sugestões” ao diploma.

“Estamos a trabalhar no sentido de agregar uma posição conjunta que possa sugerir a introdução de melhorias ou retirada de questões problemáticas que estão no diploma. Sabemos que a conjuntura política é difícil, mas estamos em crer que a partir de 04 de março alguns problemas possam emergir com maior força”, referiu, dizendo que essa posição será também dada a conhecer a Marcelo Rebelo de Sousa.

A maioria das medidas que alteram as regras do licenciamento entrarão em vigor a 04 de março, mas algumas, como os municípios não apreciarem nem aprovarem projetos (de especialidades) de engenharia ou a eliminação de licenças e autorizações “numa lógica de licenciamento zero”, já estão em vigor desde 01 de janeiro.

 Fonte: Lusa

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